A história da religião umbandista no Brasil envolve um longo processo de busca por legitimação. Nascida nos morros cariocas no início do século XX, a partir das diversas influências culturais europeias, africanas e indígenas, ela se desenvolve de forma rizomática e híbrida. Desde suas primeiras origens, esteve envolvida em um campo de disputas simbólicas e narrativas sobre sua constituição. Diversos intelectuais umbandistas, pais e mães-de-santo, jornalistas ou curiosos buscaram deixar registrado em jornais e livros da época suas definições sobre a religião, a partir de suas vivências e estudos, utilizando influências diversas, como o espiritismo, a teosofia, a apometria e até o ocultismo.Nasce destes escritos uma infinidade de “umbandas” distintas, às vezes contraditórias entre si, mas todas com o mesmo objetivo: tornar esta religião aceitável socialmente.
É sobre estas umbandas, moldadas em obras diversas ao longo do século XX, que se trata esse livro. Em um trabalho minucioso, utilizando como metodologia a análise de discurso de Michel Foucault, o pesquisador e professor Léo Carrer Nogueira se dedicou a catalogar grande parte das obras dos intelectuais umbandistas lançadas desde 1933 até os anos 2000, identificando as principais características e formas discursivas utilizadas para explicar a Umbanda, assim como sua história de formação, desde os primeiros calundus até a constituição da religião no século XX. Ao final, trata-se de uma obra que procura reatualizar as pesquisas sobre a história das religiões afro-brasileiras, contribuindo para desmistificar e explicar esse imenso mosaico chamado Umbanda.

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