Livros História da Umbanda
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Os Intelectuais da Umbanda: História da Legitimação de uma Religião Afro-Brasileira
Da África para o Brasil, de Orixá a Egum: as ressignificações de Exu na literatura umbandista
Atualmente temos a presença de Exu e seus congêneres, Lebá, Aluvaia, entre outras nomenclaturas, nas diversas nações de candomblé do Brasil. Mas a resultante desse encontro é um personagem original, mais próximo da pessoa humana. Exu ficou entre Deus e o Diabo na Terra de Santa Cruz, personificando o que de mais humano há entre esses personagens do cristianismo. Entender Exu é entender a tríade Deus, Diabo e humano. Nada mais humano, à semelhança de Deus e, com certeza, do Diabo, que o personagem Exu.
Objeto de disputas interpretativas, aceitações e negações, Exu é o elo que une a diversidade religiosa no campo afro-brasileiro. Seu poder advém do deus africano, mensageiro dos orixás, mas também, e de forma significativa, da atribuição demoníaca que a ele foi dada. A princípio, como uma forma de etnocentrismo e, por consequência, de desqualificação do outro, os europeus identificaram Exu com o Diabo cristão. Essa identificação trouxe como herança a força que o Diabo possuía na cultura judaico-cristã europeia. O Deus caído, mas detentor de um importante papel e poder no panteão judeu-cristão. Nas umbandas, que têm por tradição sacralizar os grupos marginais brasileiros, Exu se transformou no mais poderoso deus desse panteão. Ser o espelho das pessoas humanas, frase utilizada para explicar esse personagem em muitas casas religiosas, simboliza bem a humanidade dele.
Foi sobre essa temática que o jovem intelectual Léo Carrer Nogueira se debruçou. Entrou no xirê (roda dos orixás) da cultura brasileira e bailou por uma longa noite buscando o ritmo do tempo ou das diversas temporalidades que confeccionam esse Exu brasileiro. De muitas faces, antropofágico, temido e amado, odiado e querido; um ser plural. Da África, o autor cruzou a passarela atlântica inserindo novos personagens a essa dança. Ao desembarcar nos palcos americanos, o regente Léo Carrer já trazia em sua narrativa, como parceiro de dança, o europeu. Ao som do maracá, bailou com a pajelança indígena. Entre aproximações e afastamentos, esta obra narra diversas possibilidades de explicar muito além do Exu, ou das diversas cabeças dessa medusa dos trópicos. Em suas entrelinhas, ela fala do ser brasileiro. Com um senso refinado de abordagem histórica, “sem perder a ternura jamais”, o jovem maestro convida diversas temporalidades e localidades, interpretações e crenças para que juntas, como nu a orquestra, possam tentar explicar essa sinfonia/ cultura que é a absurda potência de Exu no imaginário brasileiro.
Convido todos a se unirem ao autor e se dirigirem ao salão para saborear essa análise recheada de notas afinadas com o mais puro diálogo acadêmico, mas sem perder o passo nem o compasso da batida dos tambores. Laroyê Exu! Salve o Povo da Rua! (Texto escrito por Mario Teixeira de Sá Júnior ).
As religiões afro-brasileiras no Sul e Sudoeste de Goiás: os diversos aspectos da presença dessas religiões na sociedade e na cultura
Mirando essa diversidade de manifestações e essa riqueza de experiências, os pesquisadores do Grupo de Pesquisa sobre as Religiões Afro-brasileiras do Programa de Mestrado em História (PPGHIS), da Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Morrinhos, tem desenvolvido parte de suas pesquisas, análises e reflexões, enfocando a presença dessas religiões nas regiões Sul e Sudoeste de Goiás e desvendando um universo extremamente rico de expressões religiosas e culturais, que é subdimensionado e invisibilizado pelas pesquisas realizadas aos moldes do Censo do IBGE, que indicam um número ínfimo de praticantes e participantes dessas religiões nas cidades abordadas pelas pesquisas.
Neste livro são apresentados alguns resultados desses estudos, que confirmam a diversidade e apontam para uma participação muito ampla dessas religiões no campo religioso dessas localidades, mostrando que há muito maior número de Casas, de adeptos e de frequentadores do que as estatísticas indicam, e que as religiões afro- -brasileiras enfrentam a intolerância e o preconceito, se organizando, se manifestando publicamente e reivindicando seu espaço na sociedade com a liberdade e os direitos que são garantidos pelas leis.
Ensino e pesquisa em história e cultura afro-brasileira e africana
Neste importante momento histórico, pós aniversário de vinte anos da lei 10.639/03, apresentamos a presente coletânea, que está composta por textos de pesquisadores e pesquisadoras que têm se dedicado a pensar temas da história e da cultura afro-brasileira a partir de Goiás e do Distrito Federal. Trata-se de uma forma de não apenas divulgar o que tem sido produzido nos diferentes espaços de pesquisa situados nas mencionadas unidades federativas, como também uma forma de marcar lugar no mapa de produções relativas às temáticas que tangenciam a lei.
Novas formas de expressão da Umbanda na modernidade: a teoria do rizoma umbandista
A umbanda é uma das principais religiões afro-brasileiras surgidas em nosso país. Resultado das práticas religiosas de africanos que foram trazidos para o Brasil ao longo dos últimos séculos, somente no século XX ela se organiza como religião institucionalizada, ainda que sem um corpo doutrinário e ritualístico unificado. Aliás, esta será uma das principais características desta religião: sua diversidade e dinamicidade.
Ao observarmos as práticas umbandistas na modernidade, no entanto, percebemos que os modelos existentes não se encaixam mais apenas no continuum entre kardecismo e umbanda proposto por Camargo (1961). O que temos percebido é que hoje a umbanda se constitui em uma infinidade de práticas diferentes, com influências que vão além do kardecismo, superando, portanto, este continuum. Por isto propomos neste artigo uma revisão deste conceito explicativo, assim como sugerimos sua ampliação para um conceito que achamos mais adequado para a realidade desta religião hoje: a teoria do rizoma umbandista.
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