terça-feira, 16 de dezembro de 2025

África e Religiões Afro-Brasileiras: dinâmicas e perspectivas (séculos XVIII-XXI)

África e Brasil estão intrinsecamente ligados desde fins do século XVI, quando o tráfico transatlântico de escravizados foi impulsionado. Durante os quase três séculos que se seguiram de escravidão foram traficados cerca de 4,5 milhões de africanos para o Brasil. As procedências africanas dos atingidos por essa trágica diáspora forçada eram as -mais diversas, ainda que, em uma visão de conjunto, sobressaiam os centro-africanos. Angolas, congos, benguelas, dentre outros, ao contrário do que outrora sugeriram pioneiros dos estudos das religiões afro- -brasileiras (CARNEIRO, 1981[1937]), ajudaram a formar não apenas a língua e o folclore brasileiros, mas também nosso modo de vivenciar a religião. Quem negaria o papel decisivo desempenhado pelas religiosidades banto na formação das macumbas cariocas? Quem recusaria a ocorrência de uma africanização de objetos de culto – como rosários e bentinhos – do chamado catolicismo popular brasileiro? 

Este processo de africanização religiosa ocorrido em solo brasileiro adentrou o século XIX, dando origem a novas religiões, agora afro-brasileiras, com a estruturação dos candomblés, tambores de mina, macumbas, umbandas etc. Desde 1820, quando encontramos os primeiros registros da palavra Candomblé nas matas e arredores da cidade baiana de Salvador (PARÉS, 2007), o processo de organização ritualística dos terreiros tem marcado a história das religiosidades brasileiras.  Processo este marcado por continuidades e rupturas com as
práticas esparsas e fragmentadas dos calundus coloniais.

O presente livro contribui com esse amplo escopo temático, que abrange religiões africanas e afro-brasileiras do século XVIII até hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário